No início tudo é completamente mágico. Todos os sorrisos, todas as brincadeiras, todos os "eu amo-te", todos tudo. Chega a uma altura em que tudo começa a ficar escasso: as conversas tornam-se meras palavras, os "eu amo-te" passam a ser um "amo-te" indiferente, os momentos são cada vez menos, e, no meio disto tudo, há sempre alguém que acaba por sofrer mais.
Há algo que eu gostaria de ensinar hoje, e foi sempre um dos meus grandes pontos de partida para uma relação. Nós, atualmente, vivemos num mundo onde quando algo se parte, nós em vez de as concertarmos, metemos tudo para o lixo, deitamos tudo a perder. Podemos dizer até que, atualmente, muita gente vê a relação como um jogo: fazem os seus joguinhos e quando se cansam, desistem, param de jogar. Podemos ainda dizer que "nós fomos criados para amar as pessoas e usar objetos", mas agora podemos ver o contrário, o uso das pessoas e o amor pelo material. E eu faço uma pergunta, onde é que isto faz sentido? Começarmos a passar mais tempo a utilizar as tecnologias, e a comunicarmos através de tecnologias em vez de o fazermos cara a cara; agarramo-nos mais à tecnologia do que uns aos outros; perguntamos mais vezes perguntas através de um simples visor, em vez de as fazermos pessoalmente. E volto a questionar-me, onde é que isto faz sentido?
Vamos parar um pouco e começar a pensar como tudo seria se nos agarrássemos ao que as pessoas nos têm para oferecer e em vez de ignorar os problemas que achamos impossíveis de resolver, tentarmos fazê-lo através de uma conversa, colocar todos os "pontos nos i's" que necessitam de ser resolvidos, pois só assim é que as coisas funcionam, e como disse acima, agora as pessoas simplesmente desistem ao mínimo problema que talvez pudesse ser resolvido através de uma conversa onde se discutisse o que está errado e onde ambos poderiam melhorar para tudo dar certo.
As relações não são apenas um compromisso, são também a ajuda da pessoa com quem estamos para conseguirmos atingir os nossos objetivos, ajudá-los a crescer como pessoas. As relações não são sobre o que nós queremos.
Tudo começa com uma dependência de uma pessoa na outra, onde a pessoa em que nós dependemos se sente na obrigação de nos "carregar" na vida e não de nos acompanhar lado a lado. As relações são para mudar as nossas vidas e não o nosso estado de relacionamento. É encontrar alguém que nos faça querer dar o nosso melhor, alguém que nos faça questionar a maneira como agimos e nos comportamos, alguém que nos ajude a definir os nossos maiores objetivos e que nos acompanhe na concretização desses mesmos, alguém que nos inspire a fazer diferença na nossa vida e na vida dessa pessoa.
Como sempre disse, uma relação não é algo em que temos que pensar ser temporário, mas quando essa relação se inicia, o objetivo inicial seja acompanhar essa pessoa hoje e amanhã, criar um futuro ao lado dela. Uma relação não é algo que temos que nos sentir obrigados a ter porque toda a gente à nossa volta está numa. Mas alguma vez pararam para pensar se essas relações que nos rodeiam são tão saudáveis como nos transmitem ser? Muda. Muda o teu pensamento e entra numa relação quando estiveres preparado para estar numa, quando realmente achares que essa pessoa é alguém que valha a pena estar, e passares a querer fazer tudo no teu futuro ao lado dessa pessoa. Entra numa relação quando achares que essa pessoa é a pessoa que achas que te vai fazer tornar uma melhor pessoa, que vai estar sempre a apoiar-te e levantar-te quando caíres, quando as coisas não correm bem. Não entres numa relação com uma pessoa que em vez de te dar dores de barriga, aquele friozinho, te dê dores de cabeça, tornando a tua vida um caos onde tu nunca quiseste estar.
Tal como comecei a minha escrita, de que com o passar do tempo as coisas acabam por ficar monótonas, é porque as pessoas não se esforçam mutuamente para continuar a haver coisas boas, mas sim deixar andar as coisas más até tudo chegar ao fim. É assim que apostamos em perder.
"Apostar em perder? Como assim?", perguntam-me vocês.
Tu sabes que estás a apostar em perder quando essa pessoa se desliga de ti. Quando essa pessoa continua a tocar-te, mas já não sente; quando essa pessoa continua a falar contigo, mas deixa de comunicar contigo; quando essa pessoa está contigo, mas tu já não sentes a presença dela ao teu lado. É aí que sabes que apostaste em perder, se é que já não a perdeste de vez. Perdeste porque não prestavas atenção, perdeste quando deixaste de dar conta nos erros que cometias sem intenção. Perdeste quando os minutos que demoravas a responder passaram a horas, e, talvez a dias. Perdeste quando a pessoa simplesmente desistiu de iniciar uma conversa contigo porque sente que já não vale a pena. Perdeste quando em vez de aproveitarem a companhia um do outro, tudo se tornava num silêncio. Perdeste quando ela te deixou de dizer o que ia na cabeça dela porque deixaste de perguntar. Perdeste quando continuaste a dizer que a amavas, mas deixaste de mostrar. Perdeste quando te deixaste de te importar com o que ela sentia, quando começaste a fazer com que ela perdesse tempo com alguém que não lhe estava a retribuir o valor que ela dava. Perdeste quando deixaste de lado o pensamento que não tens que mostrar o teu amor todos os dias, mas sim esporadicamente. Perdeste quando te esqueceste que, tal como ela, tens que a amar quando estás cansado, quando tiveste um dia mau, quando estás chateado, quando achas que é complicado amar essa pessoa. Pois, no meio de todo esse mal, essa pessoa continuava ao teu lado a tentar segurar-te para não caíres. Estava ao teu lado a tentar mostrar-te que más fases toda a gente tem, mas que ela continuava ali apesar do mal, pois sabia que o bem iria chegar. Tu simplesmente não deste conta que, enquanto magoavas a pessoa com a tua indiferença, essa pessoa continuava ao teu lado independentemente de tudo.
Se tens tanto a ganhar, porque é que apostas em perder?
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