Bebé, criança, adolescente, jovem adulta, pessoa medíocre é a minha caracterização. Rapariga egocêntrica, incompreendida e que se sente só. Rita é o meu nome, talvez um nome demasiado vulgar, um nome próprio deste mundo usado e abusado por muitos. Indivíduo perdido, passageira clandestina da vida, é o que sou. Ser humano sozinho e inseguro que vagueia nas palavras tontas, que respira moléculas de oxigénio, um gás sem sabor, incolor, um gás de sobrevivência. Agora, será a única coisa que me mantém viva? É uma pergunta insistente.
Perdi amigos ao longo da vida, pessoas que considerava um tanto importantes na minha caminhada passageira, mas acabei por ganhar outras e entendi verdadeiros significados, como o da vida com simples gestos, atos, palavras.
Consideram-me uma pessoa egoísta e falsa. Talvez o seja. Ninguém é perfeito pois a perfeição no ser humano é algo imperfeito e inexistente. Outros simplesmente me consideram uma pessoa - o que é uma pessoa? - divertida, estranha, mas especialmente amiga. Amiga... uma palavra tratada como lixo, como se fosse a palavra mais insignificante e sem sentido neste mundo.
Agora eu, sou eu. Encontrei-me neste ano que passou. Encontrei o meu fundamento, a minha heroína, o porquê deste meu batimento cardíaco, a razão da minha existência. Observei, ouvi, falei, vivi. Evoluí também. Uma evolução que simplesmente se trancou dentro de mim e que apenas é vista pelos mais próximos desta pessoa sobre quem escrevo. Esta pessoa obscura e indeterminada por alguns momentos. Apenas sou uma pessoa (in)vulgar. Sou apenas eu.
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